mãe sentada, uma colher em cada mão, sopa para a direita, peixe para a esquerda e vice versa. o bebé chora, está febril, vai para o chão e acalma, o menino não pára sentado, já não há exemplo de uma refeição normal. o bebé volta a chorar, o cocó incomoda-o que já se colou e espalhou, o menino choraminga que lhe dói uma perna, a mãe desconfia que a perna quer disputar atenção. querem colo e a mãe fica sem braços e tenta fazer malabarismos para alimentar as crias. entretanto o menino anda de cu no ar a brincar e a mãe vai num pé, limpa o rabo ao bebé e volta no outro, ralha que comer é na mesa sentado mas não há ninguém sentado naquela mesa. o bebé continua choroso e a mãe já pouca maçã lhe consegue enfiar no bucho por isso corre a fechar as portadas no quarto e pousa-o na cama e o bebé fecha os olhos em 5 segundos e volta a fazer rodopiar colheres de perca grelhada, comida favorita do menino que, hoje insisti dizer, não quer e não gosta. mãe dá atenção ao menino, constrói uma garagem onde estacionam todos os carros e a perna já não dói. faz-se um bocadinho de silêncio e a mãe pensa nas nebulizações que ainda tem de distribuir. a mãe senta-se e sente as costas feitas num oito enquanto tecla por uns minutos porque daqui a nada volta a esquecer-se que tem costas e vontades e sabe que daqui a uns anos não sabe se vai saber o que fazer com o tempo.
23 de Maio de 2012
nós por cá
mãe sentada, uma colher em cada mão, sopa para a direita, peixe para a esquerda e vice versa. o bebé chora, está febril, vai para o chão e acalma, o menino não pára sentado, já não há exemplo de uma refeição normal. o bebé volta a chorar, o cocó incomoda-o que já se colou e espalhou, o menino choraminga que lhe dói uma perna, a mãe desconfia que a perna quer disputar atenção. querem colo e a mãe fica sem braços e tenta fazer malabarismos para alimentar as crias. entretanto o menino anda de cu no ar a brincar e a mãe vai num pé, limpa o rabo ao bebé e volta no outro, ralha que comer é na mesa sentado mas não há ninguém sentado naquela mesa. o bebé continua choroso e a mãe já pouca maçã lhe consegue enfiar no bucho por isso corre a fechar as portadas no quarto e pousa-o na cama e o bebé fecha os olhos em 5 segundos e volta a fazer rodopiar colheres de perca grelhada, comida favorita do menino que, hoje insisti dizer, não quer e não gosta. mãe dá atenção ao menino, constrói uma garagem onde estacionam todos os carros e a perna já não dói. faz-se um bocadinho de silêncio e a mãe pensa nas nebulizações que ainda tem de distribuir. a mãe senta-se e sente as costas feitas num oito enquanto tecla por uns minutos porque daqui a nada volta a esquecer-se que tem costas e vontades e sabe que daqui a uns anos não sabe se vai saber o que fazer com o tempo.
17 de Maio de 2012
semana aberta
uma semana aberta na escola. nem receitas de bolos, nem de pizas ou de gelados. a proposta era simples e a introdução deu para falar de legumes e de sopa (porque fazemos bolos com os filhos e não sopa?). depois de uma história sobre ervilhas fi-los abrir vagens e juntar bolinhas verdes num saquinho. alguns não queriam parar e a coisa correu melhor que a proposta do ano passado.
15 de Maio de 2012
a vida escolar do filho grande tem um momento pelo qual ele anseia com entusiasmo. durante uma semana as portas estão abertas aos pais que os queiram visitar, assistir às suas rotinas ou fazer uma actividade. hoje enquanto o observava inserido entre os demais percebi como afinal é envergonhado e mais pequeno, todos tão pequeninos. em casa parece-me tão grande e conversador. a vida do filho pequeno a pouco mais de uma semana dos dez meses progride à velocidade da luz esta semana encerramos o capítulo amamentação em definitivo e ele já fica em pé sem apoio.
14 de Maio de 2012
9 de Maio de 2012
8 de Maio de 2012
irmãos
-é muito aborrecido ter um bebé. eu não queria ter um bebé porque um bebé quer tudo o que os manos têm e tudo o que os manos querem. tu agora queres ter um irmão para mim e eu não, que aborrecido. eu não queria bebés porque fazem asneiras. eu chego. (enquanto fugia para um canto para tentar brincar sem interferências).
mais tarde enquanto massacrava de abraços o irmão
-então é bom ter irmãos ou não?
-ah mmm é
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7 de Maio de 2012
6 de Maio de 2012
mães
ver peixinhos com uma colega da escola com quem por coincidência se encontrou foi muito bom. muitos abraços, mãos dadas e partilhas colocando mães de margem. as mães trocaram olhares cúmplices de quem os vê crescer. há um fio transparente que liga o coração de mães e filhos. o nosso ainda tem poucas interferências, a distância ao colo ainda é muito curta.
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5 de Maio de 2012
gatinho
a grande velocidade para fazer 1 ano. 1 ano?! já!? mas...mas...nem houve tempo para registar todos os dentes rompidos (há mais dois a rasgar), nem para registar que já se aguenta segundos em pé ou para apontar que trilhou um dedo (coisa pouca) debaixo da porta da sala, que quando está cansado me trepa pelas pernas e sossega no sling (claro! esta há quatro anos que não é novidade), que finalmente usa sapatos (os mesmos do irmão), que depois da sede de movimento que rompeu por volta dos nove/dez meses e lhe/nos alterou a rotina do sono, já voltamos a criar uma nova e as noites começam de novo, aos pouquinhos, a ser quase perfeitas. tudo como dizem os livros portanto. e é isto e isto. isto é mais para dentro mas a janela está aberta e sei que nem sempre sei quem espreita.
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2 de Maio de 2012
eles
um hipermétrope e outro quase andante. apetrechamo-nos de acessórios. para o maior é o primeiro de muitos dias com um novo objecto na cara. não sabemos quantos que temos a genética, de um lado, a desfavor. para o menor é o primeiro de muitos dias com sapatos. dá passos agarrado e já se aguentou de pé por instantes. anda a ganhar músculo.
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30 de Abril de 2012
de domingo
aproveitámos todos os bocadinhos de um fim de semana passado a correr. pai e filho deitaram mãos à obra e temos 4 novas tacinhas para pintar e encher de molho de soja.
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29 de Abril de 2012
25 de Abril de 2012
22 de Abril de 2012
miller goodman
um com ajuda, este quase sozinho (deixei-lhe as peças necessárias). hoje acabamos o dia quase sem usarmos babysitter. como se "prende" um menino de quatro anos enquanto se adormece o de 10 meses?
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21 de Abril de 2012
quando
é que o papa vem? porque é que ele não fica aqui a dormir e depois vem e depois vai e depois vem e depois vai e depois vem e depois vai.
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um gato e uma trela não combinam
há quase uma semana em rotinas intensivas, duas crianças para um adulto. tenta-se evitar que o mais pequeno se envolva em aventuras radicais, que passam por lhe amparar a cabeça nos malabarismos maiores e tentar que não escarafunche os dedos nas tomadas. gatinha, põe-se em pé e agarra tudo enquanto se pisca os olhos. o maior gatinha atrás dele e aperta-o, o que o irrita, e a anarquia quase se instala porque o maior abusa do desgoverno. na cabeça, quase a martelar, interrogações: como se mantém uma criança de quatro anos sentada na mesa a jantar se a mãe quase não pousa a retaguarda na cadeira porque ou está a alimentar o pequeno ou a rabiar atrás dele a monitorizar-lhe os movimentos. a certa altura está tudo a rabiar, a mãe perde o controlo e grita e sabe que falar baixinho resulta melhor.
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14 de Abril de 2012
precalços
o meu coração saltou quando soltou um alçapão movido pela curiosidade dos seus quatro anos e na pressa de o segurar caiu com ele e trilhou os dedos. um susto. muito gelo e um raio x para descança-lo. ao coração. uma ligadura, centímetros de pano a mais, ossos sem danos. precalço ultrapassado quase sem mazelas.
11 de Abril de 2012
26 de Março de 2012
anda comigo ver os aviões
voamos, todos, sem exceção.
temos uma exposição para ver além do museu.
a música de amigos de amigos, a que já assistimos ao vivo e a cores faz três anos, não nos sai da cabeça. da nossa e da dele:
mama vamos estar todo o dia no avião? mesmo todo o dia? e vamos dormir lá? eu não quero dormir, eu quero ir sempre à janela a ver as nuvens.
está bem?
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24 de Março de 2012
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