25 de março de 2015

21 de março de 2015

do que nos interessa a nós































às vezes esqueço-me que és pequenino mas lembro-me sempre que não preciso de ir para o laboratório encher tubos de ensaio. sei que basta mais uma milésima grama nas misturas que já fiz para ser tudo novo e diferente. sinto que tudo pode correr bem sem tanta minúcia nas misturas. arrisco mais sem tanto pudor. já faço as misturas a olho e só garanto um ou outro ingrediente para o bolo crescer. não saltas etapas mas dás saltos em volta entre o teu estágio e o do teu próprio irmão. é uma presença muito constante e intensa a de um irmão. enquanto vou ao laboratório com o teu irmão, vais apanhando o que vai caindo, observas as misturas e chegas a provar alguns ingredientes porque a porta fica sempre escancarada para trás. entras, sais, experimentas e rejeitas sempre que queres. mais isto e mais aquilo do que o teu irmão fazia com a mesma idade e mais aqueloutro. tens muitas mais persistências, certezas e quereres mas preferes saber que o ninho está sempre ali por perto. és tão indirecto nos genes que precisaríamos de nos debruçar melhor nos detalhes e ver para além do aparente. herdaste os olhos do pai e o cabelo fino da mãe mas ninguém vê a minúcia em ti. ainda tens muito para nos mostrar de ti, vamos aquém do aperitivo e por isso te refiro sempre a doçura e o melaço que me trouxeste nesta segunda viagem da maternidade. é a maior novidade. a novidade dos beijos melosos e a das certezas difíceis de dobrar. és
menos manuseável. eras mais musical mas cresces e as variáveis moldam-te, um dia vemos se tens mais sementes inatas em ti. tento não abrir a gaveta das comparações e nem sempre me lembro de elimina-la de todo. não se comparam pessoas pequeninas sob pena de lhes toldar características e as fazer imergir em vez de emergirem. muito menos irmãos. nunca vos pus a fazer muitas escolhas porque sempre achei que se formam crianças a escolher por elas a dar-lhes referencias de escolhas para um dia lhes deixar o livre arbítrio inteiramente nas suas mãos. damo-vos opções em vez das escolhas. tu queres fazer escolhas e insistes sem desistir à primeira. do que te lembras é de uma vida em trânsito em volta do nosso porto seguro mas sentimos que as tuas ligações são as de quem nunca saiu de um ninho onde nos encontramos todos, todos os minutos juntos. conforta-me sabe-lo porque também "trabalho", neste emprego que a maternidade me trouxe, para isso. tens um olfacto apurado e directamente ligado a memórias de pessoas e sítios por onde passaste. tens uma memória bem exercitada, ligada aos sentidos e surpreendes-nos com pormenores do passado. sabes de consciência plena que tens pela frente diferentes desafios em novos estágios permitidos por quem tem mais idade e por consequência mais aptidões porque vais na primeira fila a observar as etapas seguintes. sabes bem que não podes viajar no elevador sozinho e nem podes ir a casa da titi sozinho mas o teu irmão pode. eu sou a tua mãe e tenho o direito de ter a certeza de onde vêm os teus caracóis. 

20 de março de 2015

do que nos interessa a nós






























és o meu tubo de ensaio. contigo nasci cientista. investigo ingredientes e novas combinações por e para ti a cada dia que passa. a cada novo desafio que nos aparece pela frente. avanço e recuo. avançamos e recuamos. experimentamos novas combinações e quando atinges um pequeno novo equilíbrio por mais pequeno que seja, sinto-me bem sucedida, acalmo, relaxo, sento-me no confortável cadeirão da maternidade e contemplo. mas a tua vida avança e abre todos os dias novas janelas. rasgas novidades que nos fazem voltar ao laboratório a cada variável que surge. fazemos novas misturas. acrescentamos novas substâncias e, temos resultados umas vezes mais bem sucedidos que outros. fazes-me imergir em reflexões. já me fizeste ler relatórios sobre métodos de aprendizagem. já confiei que avançavas dando tempo ao tempo. e o tempo provou que sim. devemos confiar-lhe muita coisa, muitas mais coisas.devemos sossegar mais vezes, muitas mais vezes. devíamos ter muitos filhos e desconcentrarmo-nos de cada um. já voltamos um passo atrás e pareceu que avançamos dois. mas sem o avanço e o recuo não teríamos avançado duas casas. às vezes as contas +1-1 podem dar +2 basta introduzir a variável novas experiências nessas somas e a matemática pode baralhar-se e a equação deixar de pertencer unicamente a esse domínio.  não guardei no álbum de bebé nenhum pedaço do teu cabelo. mas cortei-te a farta cabeleira desde que nasceste. muitas vezes no primeiro ano. registei algumas, desacertei outras e repeti estratégias para não teres simulacros de tigelas na cabeça. nunca passeei no pescoço nenhum  fio de ouro com o teu primeiro dente ao dependuro.  casei o ordinal e o cardinal correspondente na cabeça, sete dentes até ao dia do sétimo aniversário, e mesmo assim receio que a memória me traia. voltam sempre a repetir zumbindo-me aos ouvidos a tua minúcia nas actividades que executas, nos exercícios manuscritos, nas manualidades e na ponderação que imprimes. mas estes últimos meses rodopias com as ultrapassagens que fazes à lentidão e à frustração inicial pelos trabalhos que deixavas por terminar.  a ginástica penetrou-te cérebro adentro e flexibilizou o raciocínio e a capacidade de trabalho. és desajustado nas primeiras abordagens e nas primeiras aproximações e integrações mas rápido a entrar na engrenagem e a mimetizar o que te rodeia. tens os ingredientes envolvidos com a batedeira na velocidade máxima vindos do pai e da mãe. os físicos e os psicológicos e, à medida que cresces vamos descodificando a origem de cada sabor, mesmos os aromas adicionados só para apurar. rebobino a minha infância e encontro a agilidade, a destreza física, a flexibilidade e a relação com o corpo que fui perdendo em mim e quase fico a ver-te ser capaz de trepar o muro de 6 metros que me fazia libertar da preparatória mesmo

quando tinha um pulso com pontos. treinei o pino incluindo abertura de 180º medidos a transferidor até ficar perfeito e quase cheguei ao flik flak por minha conta ainda o pinheiro da tua escola era pequeno. revejo-te nos mortais que arriscas sem pensar nos riscos e invejo-te os colchões e o treino que te amortecem as tentativas. todos os dias encontro genes do papá quando acertas os punhos das camisolas e as alinhas em paralelas certinhas. és tão nosso, tão misturado, que chego a cegar-me de deslumbramento por milésimos de segundos. outro dia num almoço de muitas mães fiquei uma hora a ouvir uma deslumbrada a falar do seu deslumbramento. quase desmaiei com o soporífero. é tenebroso ouvir mães deslumbradas, cegas de amor, maçadoras descrições de cada palavra mal pronunciada. tenho a certeza que camuflei uma expressão de tédio para não ser desagradável e que me inibi de pronunciar e partilhar todas as equações das habilidades que os meus filhos sabem fazer. são tão normais que nunca as debito. são tão entediantes, tão sem graça. dizem palavras tão normais, cheias de cócó e disparates à mistura que temo maçar o mais entusiasmante e paciente ouvinte. deixo-as falar, às mães e, sinto-as felizes numa felicidade alucinada por uma outra mãe não replicar com novos episódios num jogo de pingue-pongue salteado em que cada uma se ouve a si própria. chego a subvalorizar-vos as aquisições e a induzir em erro características e depois tenho de me corrigir e ver que afinal em vocês, em nós também há magia. até agora os vossos álbuns de fotografias são os mais bonitos que vi até hoje. só para que vos conste!


18 de março de 2015

trocar a tabuada em miúdos




é contraproducente prolongar a escola para as horas livres em casa e, por isso, temos menos "programas forçados" do que nestes meses. mas eis que nos chegam recados para praticar a tabuada até ao 4! e agora? praticar a tabuada? busco informação para dar a volta ao texto e esbarro nisto de facto a tabuada não se decora! usa-se! decora-se porque se usa e abusa. juntamos o macaco, repescamos um livro e mais uma linda cartolina que já andavam por lá tudo com a tabuada carimbada. fizemos marcha atrás, guinada e"atacamos" forte por outra frente. à procura do prazer. É onde achamos que deve estar o aprender, fomos devagarinho e avançamos a tabuada do 2. 

3x7
21
7 e 7 são 14
com mais 7
21
tenho 7 namorados
e não gosto de nenhum
done!!! uma já foi....
3x4
12
só porque sim
repetimos, foi só
e eis que viajamos
com amigos
éramos muitos e o carro parecia uma camionete
surgiu natural
3x9
27
já não vais na camionete
descobrimos depois que as coisas começavam a surgir com naturalidade
3x8 era somar 3 aos 21
e a ginástica mental vai-se adensando
lançamos um novo
4x5
somam-se mãos e pés
são 4 cada um com 5
simples porque sempre que mete o 5
não há como falhar
os resultados têm de acabar em 5 ou em 0

não nos interessa a cantiga preferimos as mnemónicas, os jogos de memórias, associações em viagens e contextos improváveis. às vezes já nem sabemos se estamos a trabalhar ou a brincar e vice versa. mas sentimos que resulta uma série de desbloqueios que lhes parece dar ferramentas para criarem depois as suas próprias associações com uma eficácia mais profunda.

16 de março de 2015

letra

























é o primeiro ano cheio de desafios ultrapassados. a letra entortou. tu aceleraste, avanças no desafio, agarras um livro cheio de letras e desatas a ler por ali fora, queres cantar a tabuada e baralho-te as voltas introduzindo mnemónicas e saltando sequências. partilhas histórias, sucessos, brincadeiras, todo um mundo de felicidade emana da escola. também ali fui muito feliz. para a semana novo desafio, quase por tua conta e parece que estás em pulgas para que comece. sempre que te acenam com uma bandeirola de autonomia cresces mais um bocadinho e eu tento mingar os receios do que a estrada nos atirou para a porta. 

28 de fevereiro de 2015

obrigada marido natal



home away






























perco coisas, perco coisas em mim. perco momentos que pouco interessam. perco momentos que pouco interessaram e só vagamente sei de nuances da sua existência. lembro me muito muito bem de ter perdido as minhas sapatilhas de pontas porque depois da intensidade de uma aula voltava a rodopiar em casa enquanto o jantar arrefecia na mesa. encontrei-as muitos meses mais tarde, no fundo do cesto da lenha. era inverno de novo. perco coisas em mim, nas minhas coisas. em bolsos de casacos pouco rodados. em recantos esquecidos. encontro coisas perdidas quando já não vale a pena encontrá-las. preciso abrir todos os sacos, malas e malinhas, carteiras e bolsas para descobrir uns óculos de sol. hibernaram todo o inverno e a primavera está ai à porta, é hora de aparecerem. e a chave. e a chave desaparecida da casa que entrou e saiu da nossa vida a correr e deixar memórias condensadas, um dia aparece quando já não for preciso fechar a porta. para já deixamo-la um bocadinho aberta em nós. here we go again.

25 de fevereiro de 2015

my blog - my memorie

























8 anos de memórias por imprimir em papel. um dia guardo-te como um album real.

15 de fevereiro de 2015

carnaval

















escolheu o fato e passou a semana na urgência de o ter a tempo e horas. folheamos livros, discutimos estratégias e eis que em dois serões ficou a base alinhavada. na véspera a mãe entusiasmou-se com ajustes e pormenores e prolongou acabamentos pela noite dentro. no dia c face a uma crise existêncial despoletada por folhos (terá sido isso?) foi de fato de treino.

9 de fevereiro de 2015

bolos caseiros e ideias

em vez de um bolo só, este ano para a escola voaram já doses individuais que não chegaram para tantos meninos a querer repetir. os nossos bolos têm sempre carinho. estes tiveram febre à mistura e eram para ter bandeirinhas com contas em que o resultado era o número de anos. fica a ideia para o próximo ano.

8 de fevereiro de 2015

aniversário

















fizemos um aniversário partilhado mas voltamos a dobrar tsurus

7 de fevereiro de 2015

sushi - 10 macdonalds - 0



















fazer anos. almoço a 4. os nossos filhos devoram sushi.

1 de fevereiro de 2015

neve=areia?























se não gelassem tantos as mãos, se a neve não entrasse por todos os buraquinhos e desce-se a temperatura, se nos tivessem calhado mais dias de sol com neve, eles passariam horas a explora-la como material infindável de brincadeiras e não lhes saberia tão bem entrar num espaço aquecido. ainda assim querem sempre mais tempo.

eu vista por mim

eu vista por mim
novembro1982